O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

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Sete Lagoas (MG)

A cultura da Pitanga

29-11-2021 10:10


A pitanga ou pitanga-vermelha tem seu nome derivado do tupi pi'tãg, que quer dizer vermelho-rubro, em alusão à cor de seu fruto, que de fato pode se apresentar nas cores vermelha, rubra, roxa, e as vezes quase preta, sendo esta conhecida popularmente como pitangueira. Pertence à Ordem Myrtales, Família Myrtaceae e à Espécie Eugenia uniflora L.

 

No Brasil e particularmente no Nordeste, a pitanga é consumida ao natural, mas sua principal utilização está no aproveitamento - industrial e doméstico - dos frutos para o preparo de polpas e sucos. Também é utilizado na fabricação de sorvete, picolé, refresco, geléia, licor e vinho (Donadio, 1983; Ferreira et al., 1987; Lederman et al., 1992).


A planta é um arbusto de pequeno porte, podendo, no entanto, atingir alturas superiores a 7 m. Suporta poda forte e repetida, cresce lentamente, tem copa densa e compacta, sendo por essas razões empregada como cerca viva e planta ornamental (Braga, s.d.; Correa, 1978; Villachica et al., 1996).


O seu potencial de utilização é ressaltado quando se considera que o seu fruto de sabor exótico é rico em vitaminas, principalmente em vitamina A (635 mg /100g polpa). Além disso, a promoção de campanhas de educação nutricional pode aumentar o consumo da pitanga como alimento rico e saudável.

      

Por outro lado, existem grandes perspectivas de crescimento no mercado das misturas entre sucos de espécies de frutas diferentes ("mixed juices"), principalmente com os de sabor exótico. Também pode ser utilizada como aditivo em bebidas lácteas e, ainda, nas formas de produtos como refresco em pó e néctar.

Propagação.


A propagação da pitangueira pode ser feita por sementes e por métodos - enxertia e estaquia (Argeles, 1985; Bezerra et al, 1997a; Demattê, 1997). No entanto, o processo mais usual é o realizado por meio de sementes. Nesse caso, o preparo das mudas é feito da seguinte maneira: as sementes devem ser despolpadas a partir de frutos maduros, em seguida são lavadas, secas à sombra e postas a germinar em número de duas, em sacos plásticos pretos de 12 x 16 cm, usando como substrato uma mistura de terra e esterco de gado ou galinha, na proporção de 6:1 ou 3:1, respectivamente.


Logo após a semeadura, deve-se fazer uma cobertura dos sacos com capim seco, a fim de manter uma boa umidade e proteger a camada do solo onde está a semente, do superaquecimento. Normalmente, a germinação ocorre em cerca de 22 dias após a semeadura, quando deve ser retirada a cobertura de capim. A proteção das plântulas passa a ser feita com uma cobertura alta, medindo 1,00 m de altura na direção da nascente e 0,60 m na do poente, evitando-se, assim, que as mudas fiquem expostas ao sol nas horas mais quentes do dia.


Quando as plantas estiverem com 5 cm de altura, procede-se ao desbaste, eliminando-se a menos vigorosa. As mudas deveram ser levadas para o campo quando atingirem uma altura de, aproximadamente, 25 cm, o que se dá geralmente aos seis meses após a semeadura.


À medida que a pitangueira vai se tornando uma cultura de interesse comercial, o plantio a partir de sementes deve dar lugar à propagação vegetativa de variedades selecionadas, assegurando a formação de pomares com populações de plantas homogêneas.

A propagação vegetativa pode ser obtida por enxertia do tipo garfagem no topo em fenda cheia ou à inglesa simples, utilizando-se porta-enxerto da própria pitangueira com 9 ou 12 meses de idade, produzidos em sacos plásticos pretos de 25 X 35 cm.


O plantio deve ser realizado no início da estação chuvosa, de preferência em dias nublados, para evitar o ressecamento das mudas, ou em qualquer época do ano caso haja condições de utilizar a irrigação.

A muda deve ser colocada na cova, com o caule no centro da régua de plantio, de maneira que o colo fique um pouco acima do solo. Recomenda-se fazer, logo após o plantio, uma rega com cerca de 10 litros de água e se possível fazer cobertura morta, com capim seco ou outro material disponível, ao redor das mudas recém-plantadas, a fim de diminuir a evaporação.

 

No que concerne à produção e comercialização da pitanga, não se dispõe de dados oficiais, tanto internamente como no exterior, no entanto estima-se que o Brasil seja o maior produtor mundial da fruta. Os maiores plantios estão localizados em Pernambuco, onde somente a região de Bonito e municípios vizinhos possui cerca de 300 ha cultivados, sendo que a maior contínua plantada do país (50 ha) pertence à Bonsuco-Bonito Agrícola LTDA. A Bahia, com áreas cultivadas no Extremo Sul, destaca-se pelos plantios da Frutelli (36 ha), conforme Silveira (1997), e da Fazenda Esperança (16 ha), em Porto Seguro.


Com relação a comercialização no Brasil, apenas a CEASA-PE, em Recife, dispõe de dados. Nesse entreposto, conforme informações da CEAGEPE, a quantidade média ofertada no período de   1987-1996 foi de 35,8 t/ano, sendo que 97,7% dos frutos eram provenientes de Pernambuco e apenas 1,90 e 0,40%, dos Estados de Alagoas e Paraíba, respectivamente. Os Municípios que mais ofertaram o produto na CEASA-PE, naquele período, foram Bonito (146 t) e Barra de Guabiraba (76 t), situados na região do Brejo Pernambucano, e Buíque (18 t), localizado no Sertão do Estado