O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

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Sete Lagoas (MG)

A História de Johanna Döbereiner

18-10-2021 18:57

Johanna Döbereiner foi uma cientista mulher e mãe a frente do seu tempo, tendo uma vida que muitos consideram como um "feito notável".  Foi exceção em um século onde a regra era a presença masculina na agricultura. 

Naturalizada brasileira em 1956, ela chegou ao Rio de Janeiro em 1950, depois de anos turbulentos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. No município fluminense de Seropédica, no interior do Rio de Janeiro, ela se estabeleceu e criou os três filhos - Maria Luísa (Marlis), Christian Erhard e Lorenz. Foram 48 anos na mesma casa, na Rua Colina, ao lado do marido, o médico veterinário Jürgen Döbereiner 

Nascida em Aussing, na antiga Tchecoslováquia, Johanna fincou suas raízes no Brasil e segundo a mesma foi em terras brasileiras onde aprendeu a fazer ciência. 

Após a morte de sua mãe, Margarethe Kubelka, em um campo de concentração tcheco - um dos muitos que foram formados na então Tchecoslováquia após o conflito, em perseguição a alemães e à parcela da população do país que havia recebido a nacionalidade alemã no início da guerra - sua família continuou a sofrer perseguição dos tchecos e foi expulsa do país em 1945. Joahnna seguiu para a Alemanha com seus avós, onde teve seu primeiro contato com a agricultura quando conseguiu um emprego como operária rural em Sadisdorf, na região alemã de Dresden. Era plantando batatas e ordenhando vacas que ela garantia o salário para manter a si e a seus avós, que vieram a falecer ainda em 1945. Após isso, ela decidiu contrariar as regras de gêneros da época e matriculou-se no curso de Agronomia da Universidade de Munique. Pagava as despesas dos estudos trabalhando no campo, em uma fazenda que produzia variedades melhoradas de trigo, onde também se preparou para fazer as provas práticas exigidas para o ingresso no curso.

Em 1950, já como agrônoma e com Jürgen que seria seu companheiro de longos anos, Joahnna desembarcou no Brasil e chegou ao Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, confessando que não aprendera nada prático na universidade, devido às limitações do pós-guerra, mas que tinha muita vontade para aprender o que fosse preciso, com sua sinceridade e determinação ela foi contratada na hora.

Em 1957 já era pesquisadora assistente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, em 1968, pesquisadora conferencista. Entre 1963 e 1969, quando poucos cientistas acreditavam que a fixação biológica de nitrogênio poderia competir com fertilizantes minerais, Johanna deu início a um programa de pesquisas sobre os aspectos limitantes da técnica em leguminosas tropicais.

Ao insistir no uso de microrganismos para promover a fixação biológica de nitrogênio e multiplicar a produtividade brasileira, alavancando a agricultura tropical e dando um novo alento na busca por competitividade frente a grandes mercados, ela selou seu nome na história. Sua contribuição transformou o Brasil no segundo maior produtor mundial de soja, atrás apenas dos Estados Unidos. Destacando-se e conquistando respeito mundial pelo seu trabalho. 

Premiada dentro e fora do país, Johanna foi indicada ao Prêmio Nobel de Química, em 1997. Mas sempre se manteve modesta e optando por um estilo de vida pacato e tranquilo e sempre manteve intacta sua simplicidade.