O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

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Sete Lagoas (MG)

História da Fitopatologia

02-05-2022 16:47


     Como toda ciência, a Fitopatologia começou com o objetivo de organizar os conhecimentos obtidos na prática. Fitopatologia é ciência que estuda as doenças de plantas em todos os seus aspectos: diagnose, epidemiologia, etiologia, controle. A palavra é de origem grega (phyton = planta; pathos = doença; logos = estudo). 

     A Fitopatologia estuda as doenças causadas por fungos, bactérias, fitoplasmas, vírus e viróides, chamadas de infecciosas e, ainda podem ser incluídos os estudos de distúrbios causados pelos excessos, desequilíbrio ou perdas de fatores físicos e químicos como temperatura, umidade, nutrientes e poluentes. 

     A Fitopatologia usa os conhecimentos básicos e técnicas das ciências tradicionais como botânica, micologia, bacteriologia, virologia, anatomia, fisiologia vegetal, genética, bioquímica, ciências do solo, bem como as mais modernas como biotecnologia, biomoleculares e informática. 

      Esta ciência é importante porque trata de assuntos relacionados principalmente com a agricultura que fornece os alimentos e outros produtos necessários para a sobrevivência da humanidade. Além desse fator básico, economicamente sua importância vem aumentando porque movimenta milhões de dólares em indústrias de defensivos agrícolas, "agrobusiness" e, culturas que se destacam mais recentemente, por exemplo, as de plantas ornamentais e reflorestamentos. Desde o início da agricultura já havia preocupação com as perdas e consequentemente com as doenças de plantas. Essas perdas levam a fome na comunidade e, portanto causam problemas sociais e econômicos.

      As doenças de plantas são conhecidas há muito tempo, praticamente desde o início da agricultura. Considera-se que, como ciência, seu início foi apenas no século XIX, em 1861 quando De Bary demonstrou que a causa da doença requeima da batata era um fungo, Phytophthora infestans. 

       A história da Fitopatologia, normalmente é apresentada em fases que acompanham o desenvolvimento da agricultura e do homem. Didaticamente, o histórico é separado em períodos de acordo com o enfoque principal para a causa e efeito, ou seja, o patógeno, as condições ambientes, a epidemiologia. Assim, nos livros didáticos como Manual de Fitopatologia: conceitos e princípios (1995), os períodos são divididos em místico, predisposição, etiológico, fisiológico e atual. 

      As referências mais antigas sobre doenças de plantas podem ser encontradas na Bíblia e, sempre eram atribuídas a causas místicas. Doenças em culturas que constituíam a base da alimentação humana como videiras, oliveiras, cereais, figueiras são as que se destacam. Não há dúvidas que a Bíblia é um repositório das informações mais antigas sobre as doenças de plantas. 

      Os hebreus e gregos, na antiguidade tiveram tantos problemas com as doenças que elas eram motivos de estudo de filósofos. O filósofo grego Teofrasto (372-287 a.C.) foi o primeiro estudioso e, o primeiro a escrever sobre doenças de árvores, cereais e legumes. Entre outras coisas observou que plantas doentes geralmente eram mais afetadas em lados mais baixos que no alto das colinas e, algumas doenças como as ferrugens eram mais comum nos cereais que em legumes ou videiras. Os romanos, também grandes agricultores fizeram observações interessantes sobre doenças, principalmente a ferrugem do trigo e de outros cereais (BERGAMIN FILHO e KIMATI, 1995). 

Virgílio, Horácio, Plínio e Ovídio, grandes filósofos da antiguidade, escreveram sobre o tema deixando informações precisas sobre o assunto. Plínio e Columella, considerados agrônomos da antiguidade, apresentaram os melhores relatos sobre fitomoléstias.

      Durante a idade média (476 a 1453) as referências sobre doenças de plantas são esparsas, sendo citadas como as melhores, as deixadas pelos árabes radicados na Espanha Moura, onde se publicou, no século X, um catálogo das doenças de plantas principalmente dedicado às árvores frutíferas e videira. Com o desenvolvimento da Botânica e Micologia nos séculos seguintes, encontram-se relatos bastante exatos sobre sintomas e até mesmo condições do ambiente que favoreceriam o desenvolvimento de doenças.

https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/fitossanidade/MARGARETECAMARGO/fitopatologia-historico.pdf