O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

Universidade Federal de São João del-Rei
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Sete Lagoas (MG)

Origem do Pivô Central

11-04-2022 18:09


      O sistema Pivô Central foi desenvolvido por Frank Ziback, quando era fazendeiro no Colorado, perto da cidade de Strasburg, a leste de Denver, nos Estados Unidos.  Após muitas mudanças e ajustes, o sistema foi posto a trabalhar, e a patente americana foi solicitada em 1952. 

     O primeiro sistema de irrigação por Pivô Central foi colocado à venda um ano após ter sido patenteado, desenvolvido através de um sistema mecânico denominado "Trojam bar" que, acionado pela água e atuando diretamente nas rodas das torres, promovia o deslocamento das mesmas. Algumas unidades, encontradas ainda hoje no mercado, operam através deste sistema. 

      O sistema de irrigação chamado Pivô Central consiste, basicamente, em diversos bocais de distribuição de água (aspersores), que podem ser aspersores de impacto (rotativos) ou sprays (fixos), montados sobre uma linha lateral. Essa linha é suportada, longitudinalmente, por uma série de torres, que se movimentam sobre rodas ao redor do ponto central da área irrigada, denominado Ponto do Pivô. Para suportar a tubulação entre as torres, denominada de vão, há uma estrutura de treliças e tirantes, os quais mantêm o tubo com os aspersores a uma determinada altura do chão, ficando, em média, a 4 m de altura; essa altura varia em função da cultura a ser irrigada. 

      O ponto do Pivô recebe água sob pressão, em um tubo vertical montado em armação metálica, provinda de poço instalado no centro da área (quando há água em abundância e a poucos metros de profundidade) ou através de tubulação de adubação, quando a fonte de alimentação (rio, açude etc.) está localizada externamente à área irrigada. Essa tubulação é colocada enterrada.

    Os sistemas de propulsão do Pivô Central podem ser motores hidráulicos à água, hidráulicos a óleo, a pressão de ar, mecânicos por cabo e elétricos. O sistema elétrico é o que mais se sobressai, pela eficiência que o caracteriza. No sistema Pivô Central elétrico, cada torre tem, na base, seu próprio motor elétrico de baixa potência (motor redutor) e, na parte superior, a caixa elétrica de contatos. No Ponto do Pivô existe o painel principal, por onde se controla todo o funcionamento da máquina.

     O deslocamento de toda a linha lateral do Pivô Central no campo é comandado pelo andamento da torre mais externa. Supondo, inicialmente, que todas as torres estejam alinhadas e apenas a última se movimente, o acionamento do motor redutor da torre subsequente se processa quando o vão em movimento se deflete em relação aos demais. Continuando o processo entre todos os vãos adjacentes, promove-se a movimentação de toda a linha de irrigação, pelo funcionamento intermitente dos motores das torres.

       Os primeiros projetos do Pivô Central foram desenvolvidos para trabalho em terrenos planos. Um grande número de modificações e aperfeiçoamentos foram feitos sobre o projeto original. O desenvolvimento das articulações flexíveis entre torres tornou possível a operação do sistema Pivô Central em terrenos com topografia irregular, o que permitiu a redução do custo de preparação do terreno para irrigação. Hoje, a grande maioria dos sistemas é montada sobre grandes rodas pneumáticas, sendo deslocados através de uma variedade de tipos de propulsão.

      Através do Pivô Central, também podem ser aplicados fertilizantes, herbicidas e inseticidas. A mistura é feita num reservatório separado, através de uma bomba injetora, onde o produto é aplicado na tubulação de subida do Pivô. O produto, então, é diluído e distribuído à cultura através dos aspersores.

     Isso traz uma série de vantagens, pois evita-se passar várias vezes sobre a cultura, com o trator ou animais, economizando-se assim combustível, mão-de-obra e tempo. A aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas, através do Pivô Central, é feita com sucesso em países como os Estados Unidos. No Brasil, devido à carência de pesquisa neste setor, este método ainda é usado de modo muito restrito. 

     Para que esta prática seja plenamente introduzida, toma-se necessário o desenvolvimento de produtos específicos, como também a determinação das dosagens mais eficientes para cada uso. Mesmo com a falta de informações, vários agricultores brasileiros já estão utilizando este tipo de aplicação, principalmente no caso das adubações nitrogenadas. Os resultados são sempre positivos, pelo fato de se poder fazer um maior parcelamento da dose total do nutriente, resultando em melhor aproveitamento por parte das culturas, com consequente aumento da produtividade.

Alguns benefícios trazidos pelo sistema de irrigação por Pivô Central à agricultura:

Aplicação correta da água 

Com este sistema de irrigação automática, o agricultor tem condições de aplicar a quantidade adequada para satisfaze r os requisitos da cultura, em diferentes estádios de desenvolvimento. 

Aplicação mais precisa e uniforme

 Através do sistema do Pivô Central, a água pode ser aplicada de maneira mais uniforme em toda área, e na quantidade certa que a planta necessita. Com isto, consegue-se um maior rendimento, gastando de 10 a 60% menos água do que quando se utiliza a irrigação superficial. 

Semeadura em qualquer época 

Uma vez que a cultura a ser irrigada não é tão dependente de luz e calor, torna-se desnecessário esperar que a chuva administre a umidade adequada. Semeia-se antes e colhe-se também antes, podendo assim comercializar o produto e conseguir preços altos. 

Economia de mão-de-obra

Um único operário pode operar e controlar dez ou mais sistemas. Isto permite O uso de mão-de-obra adicional em outros serviços agrícolas. 

Aplicação de Defensivo e Fertilizante

 Podem-se aplicar nutrientes e defensivos parceladamente, fazendo com que a planta dê uma resposta melhor em termos de produtividade. 

Agilização do trabalho

 Com a utilização dos sistemas do Pivô Central, toma-se possível fazer uma semeadura de múltiplas culturas ao mesmo tempo. O tempo de preparação do terreno é reduzido para o segundo e o terceiro ciclos da cultura.