O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

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Histórico da ferrugem asiática da soja

08-11-2021 17:19


A ferrugem asiática da soja é uma doença fúngica causada pelo patógeno Phakopsora pachyrhizi, e é atualmente a doença que mais preocupa os produtores de soja. Tem como principal dano a precoce desfolha da planta, o que gera de forma consequente a perda da produtividade. O nível deste dano depende do momento em que a doença incide sobre a cultura e das condições climáticas favoráveis, mas pode chegar a aproximadamente 90% da produção, quando não controlada.  

Os primeiros relatos do surgimento da doença datam-se de 1903, no Japão. Posteriormente foi constatada em outros países da Ásia e na Austrália em 1934, na Índia em 1951 e no Havaí em 1994. No Continente Africano, foi detectada a partir de 1996, atingindo a Zâmbia e o Zimbábue em 1998, a Nigéria em 1999, Moçambique em 2000 e a África do Sul em 2001. 

Somente em 2001 que houveram relatos do seu surgimento na América do Sul, mais precisamente no Paraguai infectando campos. Em 2002 surgiu na argentina. Em novembro de 2004, a ferrugem asiática foi encontrada infectando campos de soja nos Estados Unidos, o último grande país produtor de soja onde ainda não havia sido encontrada a doença.

A doença foi diagnosticada pela primeira vez no Brasil no final da safra de 2000/2001, no estado do Paraná, e vem aumentando sua área de ocorrência a cada ano, disseminando-se rapidamente para outros Estados do Brasil. Na safra 2002, a doença foi relatada nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, e na safra 2003/04 ocorreu de forma generalizada, em quase todo o País, causando prejuízos consideráveis em várias regiões produtoras. É atualmente um dos maiores problemas da cultura na região dos Cerrados Brasileiros, especialmente em Mato Grosso, onde têm sido necessárias excessivas pulverizações de fungicidas para controlar a doença. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com exceção de Roraima, todos os Estados que possuem cultivo de soja já foram atingidos pela doença, envolvendo uma área de 22 milhões de hectares. No sul do Brasil, epidemias severas têm sido esporádicas, porém vem sendo detectada cada vez mais cedo durante a safra. A doença é monitorada no país por vários centros públicos e privados. Segundo o Consórcio Antiferrugem, essa doença, considerada a mais severa da cultura. Devido à facilidade de disseminação do fungo pelo vento, a doença ocorre em praticamente todas as regiões produtoras de soja do país.

As estratégias de manejo da doença são: a ausência da semeadura de soja e a eliminação de plantas voluntárias na entressafra por meio do vazio sanitário para redução do inóculo do fungo, a utilização de cultivares de ciclo precoce e semeaduras no início da época recomendada como estratégia de escape da doença e a utilização de fungicidas. 

O fungo apresenta mutações que conferem resistência quantitativa aos três principais grupos de fungicidas sítio-específicos. Os fungicidas não apresentam a mesma eficiência de quanto a doença foi introduzida no Brasil, mas ainda continuam sendo uma ferramenta importante no manejo da doença.

Fonte: Agrolink (https://www.agrolink.com.br/culturas/soja/informacoes/ferrugem-asiatica_361544.html)