O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

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Histórico do Cancro Cítrico

22-11-2021 15:10


Causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. Citri o cancro cítrico é considerado, em todo o mundo, como uma das mais importantes doenças em culturas. É uma doença que ocorre em todas as espécies e variantes dos citros, afetando a maioria das variedades que constituem importância comercial, como por exemplo laranjas, limões e limas, entre outros. Presente em pomares de todo o mundo o cancro cítrico é uma das doenças mais graves enfrentadas pela citricultura no momento e é causado por um patógeno muito agressivo e que se dissemina de maneira muito rápida e eficiente, sendo um fator de grande preocupação para grandes produtores de laranja para a indústria de suco, como Brasil e os Estados Unidos.

Os citros apresentam como centro de origem o Sudeste Asiático, coincidindo com o local onde o cancro cítrico teve origem, mas a doença continua a aumentar a sua área de ocorrência geográfica a despeito de intensas regulações impostas por países muitos para prevenir a sua introdução. O cancro cítrico atualmente ocorre em mais de trinta países na Ásia, ilhas dos oceanos Pacífico e Índico, América do Sul e Estados Unidos. 

Há relatos de que, de forma involuntária, a doença tenha chegado nos Estados Unidos em 1911 e na África do Sul em 1916, trazida por navios japoneses contendo plantas contaminadas de Trifoliata e Satsuma.

A primeira descrição da doença da qual se tem notícias foi nos Estados Unidos em 1915. Porém, o cancro já havia sido observado em herbários colhidos na Índia em 1827. A eclosão nos estados do Golfo, que inclui sete estados do sul, resultou de um embarque de porta-enxertos infectados de laranja trifoliada de viveiro do Japão. A doença também surgiu naquele século na África do Sul e Austrália. Entretanto, ela foi registadamente eliminadas nessses países, bem como nos estados do Golfo através de inspeções nos viveiros e pomares, quarentenas e queima locais de árvores infectadas. Posteriormente, as epidemias foram registradas na Austrália, Argentina, Uruguai, Brasil, Omã, Arábia Saudita e Ilhas Reunidas.

No Brasil, a doença foi constatada em 1957, na região de Presidente Prudente, SP. Posteriormente, sua ocorrência foi relatada em diversos municípios dos Estados de Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rondônia. A primeira constatação de cancro cítrico no Rio Grande do Sul foi feita em 1980, no município de Santiago, região Centro Noroeste do Estado, de onde se disseminou para a região citrícola dos Vales dos rios Caí e Taquari.  Existem indícios de que a contaminação veio das províncias de Entre Rios e Misiones, na Argentina, onde a doença apresenta distribuição endêmica.

A doença causa danos que são considerados muito preocupantes para os produtores, principalmente por se tratar de patologia de difícil manejo e que apresenta como principais medidas de controle a erradicação de plantas infectadas e demais plantas vizinhas em um raio mínimo de 30 metros, ou múltiplas pulverizações de plantas afetadas, com produtos cúpricos, o que aumentam os custos de controle. 

Os danos apresentados podem atingir desde a parte aérea da planta até folhas e principalmente a superfície dos frutos, sendo este a principal fonte de danos causados economicamente aos produtores, pois torna inviável a comercialização dos frutos. Embora não sejam muito frequentes, infecções mais severas levam à queda de folhas e frutos e ao secamento de galhos.


Fonte: https://www.apsnet.org/edcenter/disandpath/prokaryote/pdlessons/Pages/CitrusCankerPort.aspx

https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/746695/1/documento234.pdf