O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

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Origem da Compostagem

21-02-2022 16:58

     O termo compostagem é hoje associado mais ao processo de tratamento dos resíduos orgânicos do que ao processo para aproveitamento dos resíduos agrícolas e florestais. De acordo com o Dicionário Porto Editora, a compostagem é o processo biológico através do qual a matéria orgânica constituinte do lixo é transformada, pela ação de microrganismos existentes no próprio lixo, em material estável e utilizável na preparação de húmus. 

      A compostagem, como método de reciclagem do lixo doméstico para obtenção de fertilizante orgânico, é conhecida pelos agricultores desde longa data. Os registos de operações de compostagem em pilhas remontam na China, a mais de 2000 anos, e, existem várias referências bíblicas sobre as práticas de correção do solo. O agricultor cientista romano Marcus Cato também a elas se referiu. Estas práticas foram detalhadamente descritas cerca de 1000 anos atrás, para o período dos 3000 anos precedentes, num manuscrito de El Doctor Excellente Abu Zacharia Iahia de Sevilha, o qual foi, posteriormente, traduzido do árabe para o espanhol por ordem do rei Carlos V e publicado em 1802 como El Libro de Agricultura. Pela sua própria experiência, Abu Zacharia insistia que os dejetos animais não deviam ser aplicados frescos e isolados ao solo, mas sim, após misturas com 5 a 10 vezes mais de resíduos vegetais e com resíduos das camas dos animais, para aproveitar as urinas. Também Albert Howard, autor do famoso método de compostagem desenvolvido no início do século XX na província Indiana de Indore, tentou, sem êxito, efetuar a compostagem com resíduos de uma só natureza, como de restos da cultura do algodão, da cana do açúcar, da ervilha ou de infestantes de trevo, e concluiu que tinha de misturar os resíduos.

     Na Europa, durante o século XVIII e XIX, os agricultores transportavam os seus produtos para as cidades em crescimento e, em troca, regressavam às suas terras com os resíduos sólidos urbanos das cidades para utilizá-los como corretivos orgânicos do solo. Assim, os resíduos sólidos urbanos eram quase completamente reciclados através da agricultura para sustentar a produção vegetal. E, até meados do século XX, não colocaram grandes problemas em termos de depósito. Qualquer resíduo urbano combustível que existisse era utilizado nos fogões a lenha, os jornais e papeis velhos eram utilizados como material para empacotamento, os desperdícios de comida utilizavam-se na alimentação de animais domésticos ou eram recolhidos pelos agricultores, roupa velha e metais eram, por rotina, recolhidos por pequenos mercadores, e os plásticos praticamente não existiam.

     A expansão das áreas urbanas e o aumento populacional conduziu a que os métodos de depósito dos resíduos sólidos urbanos se tornassem rapidamente inadequados. Simultaneamente, a produção agrícola intensificou-se e a produção animal concentrou-se em empresas com estabulação fixa. Consequentemente, o volume de depósitos requeridos para os dejetos orgânicos da produção pecuária aumentou, colocando problemas de higiene e estéticos. Entretanto, os fertilizantes minerais, na maioria dos países ocidentais, substituíram completamente os resíduos orgânicos como fonte de nutrientes para as culturas.

     O depósito dos resíduos sólidos urbanos e esgotos das cidades, por causa da urbanização intensa e das indústrias poluentes, tornou-se assim, nos países desenvolvidos, um problema governamental de primeira ordem. A diversificação dos produtos, em combinação com a proliferação e sofisticação dos materiais de embalagem, associou-se a um aumento constante na quantidade de lixo pós-consumidor a requerer depósito ou reciclagem. Hoje produzem-se, anualmente, grandes quantidades de resíduos de origem urbana e agropecuária, bem como das industrias de alimentos e de transformação de produtos florestais, entre outras. No entanto, por razões tecnológicas e económicas, o valor destes resíduos tem diminuído consideravelmente, ao ponto de ser considerado inviável economicamente o seu processamento, pelo que a maioria destes resíduos têm de ser depositados em aterros sanitários ou incinerados.

     Até aos finais da década de 1960, a compostagem foi considerada como um processo atrativo para estabilizar a fracção orgânica dos resíduos sólidos urbanos. O interesse na compostagem resultava na esperança de vender o produto acabado, como corretivo orgânico do solo, com algum lucro. Todavia, na década de 1970 e 1980, a compostagem, nos países desenvolvidos, perdeu a sua popularidade como método de gestão dos resíduos urbanos, principalmente porque a qualidade dos resíduos se tornou cada vez mais inadequada para o processo de compostagem e, também, devido à inexistência de mercado para o produto acabado. Na década de 1990 até aos nossos dias, a pressão exercida para a utilização de métodos com menor impacte ambiental conduz a um novo interesse no processo de compostagem, particularmente em relação à reciclagem dos resíduos e dos esgotos urbanos e industriais. 


https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Repositorio/Compostagem_000fhc8nfqz02wyiv80efhb2adn37yaw.pdf