O PET-Agronomia é um dos 842 grupos do Programa de Educação Tutorial (PET) do Governo Federal. O grupo é formado por estudantes e um docente do curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal de São João del-Rei, Campus Sete Lagoas.

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Origem da Suinocultura

19-07-2022 15:20

 

     A carne suína se constituiu ao longo da história uma das mais importantes e nobres fontes de proteína da humanidade. Na Grécia Antiga, esse alimento tornou-se o prato principal dos cidadãos e pessoas que habitavam em Atenas, Corinto, Tebas e Esparta. A cultura era altamente militarizada, os seus cidadãos se reuniam em refeições coletivas onde o alimento principal era a carne suína. O poeta Homero que viveu oito séculos antes de Cristo, narra nas suas duas obras fundamentais A Ilíada e na Odisseia, principalmente nesta última, como os guerreiros gregos consumiam esse alimento antes das suas lutas. Uma das grandes riquezas de Ulisses, herói da Odisseia, era a sua criação de porcos no seu reino de Ítaca. A presença suína é muito intensa nas páginas dessas obras-primas da literatura universal.

     Na Idade Média (476-1453), a carne suína continuou a ser um alimento fundamental e a mais importante base proteica dos europeus. Os cavaleiros feudais, Templários e Hospitalários, como parte das Cruzadas, na longa luta pela Terra Santa, levavam a carne suína como base fundamental de sua alimentação. Não é por outra, que o italiano Umberto Eco narrou na sua grande obra O Nome da Rosa como os monges medievais dos mosteiros do norte da Itália se reuniam para recomporem suas energias com esse importante alimento. Como podemos ver, nessas eras a criação de porcos, apesar de sua importância, não havia ainda assumido os contornos de suinocultura porque não se tinha o viés econômico.

     No Brasil, os primeiros suínos foram trazidos pelos colonizadores portugueses, mas foi com a chegada dos imigrantes alemães, italianos e poloneses no século XIX é que os produtos de base suína se tornam uma verdadeira atividade econômica importantíssima em várias regiões do País e do Rio Grande do Sul. É ilustrativo que a maior fortuna do Brasil, por muito tempo, foi construída pelo imigrante italiano Francesco Matarazzo (1854-1937), comercializando banha-de-porco para todo o Brasil a partir de São Paulo. Não devemos esquecer que a saborosa banha-de-porco era a base para o cozimento dos demais alimentos quentes, sendo substituído com o decorrer do tempo pelo azeite vegetal.

     No Rio Grande do Sul, diferentemente de São Paulo, foram os imigrantes alemães que incrementaram à criação suína a feição de uma atividade econômica viável, rentável e com porte de qualidade, criando os lastros da moderna suinocultura. E isso era natural, pois a suinocultura na Alemanha sempre foi um das principais ocupações dos seus camponeses, constituindo elemento central das suas Oktoberfest juntamente com a sua famosa cerveja. Em nosso Estado, os mais importantes núcleos criadores de suínos se encontram nas Regiões do Vale, especialmente no Vale do Taquari, onde esse tipo de atividade constitui um dos seus principais fundamentos econômico. Pode-se afirmar que a suinocultura é a atividade que garante a manutenção e existência das pequenas e médias propriedades dos homens e mulheres rurais das Regiões dos Vales. Ela se constitui desse modo no pilar do desenvolvimento econômico e social dessas e de outras regiões do nosso Estado, através da geração de renda, emprego e qualidade de vida.